‘A Indústria pede mudanças’, de acordo com artigo do 1º vice-presidente do CIESP, Rafael Cervone.

1º vice-presidente do Ciesp, Rafael Cervone, escreve artigo acerca da realidade das indústria atualmente no país.

A Indústria pede mudanças

Neste 25 de maio, comemoramos o Dia da Indústria. Data importante para nós brasileiros, que vivemos o dia a dia desse setor protagonista do desenvolvimento do Brasil. Tradicionalmente, o mês de maio é um período em que nós, empreendedores e trabalhadores da indústria, paramos para relembrar a gloriosa história da indústria paulista e, ao mesmo tempo, saudar os grandes líderes empresariais que destinaram ao Ciesp e à Fiesp a missão máxima de representar os interesses do setor produtivo de São Paulo, o Estado que concentra o maior e principal polo industrial do país.

Essa pujança nos remete a esforços fundamentais para impulsionar a indústria brasileira e dar ao Brasil a vocação de país com alto grau de industrialização. Do café e açúcar, até o início do século 20, à produção de bens de consumo, como automóveis e eletrodomésticos, a petroquímica, minerais, agroindústria, têxtil, metalurgia, mecânica, petróleo e tecnologia de ponta.

É uma dinâmica desenvolvimentista, responsável pela geração de milhões de empregos, de renda e de qualidade de vida para quem trabalha nesse setor. Sem contar que o desenvolvimento industrial também foi protagonista da urbanização, do acesso da população ao consumo e do crescimento de outros setores da economia.

Comemorações à parte, porém, isso tudo não foi suficiente para fazer o Brasil emplacar como nação desenvolvida. A indústria teve sua participação bastante subtraída no Produto Interno Bruto (PIB) nas últimas décadas. Teve seu nível de atividade comprometido, perdeu competitividade em relação aos concorrentes estrangeiros e acabou entrando num processo de desindustrialização preocupante. Para este ano, nossa previsão é de que a indústria paulista terá índices pífios, tanto na atividade (-1,6%) quanto no emprego, que ficará perto de zero.

Portanto, a realidade hoje é outra. Nós, empreendedores, temos muito a fazer para ajudar a indústria e o Brasil a reviver seus tempos de prosperidade e atingir o estágio ideal de competitividade e produtividade. Precisamos de um plano estratégico de país, de reforma tributária consistente, de juros mais baixos, de infraestrutura adequada, de câmbio melhor, que favoreça a exportação dos nossos manufaturados, além de redobrar os investimentos em inovação e qualificar mais ainda a nossa mão de obra.

A indústria urge por mudanças, e essa transformação também é pretendida pela sociedade, em especial por aqueles que acreditam e estão engajados para que sua produtividade não seja comprometida pelas atuais circunstâncias que seguram o crescimento do país. Podemos chegar lá em breve, mas as esferas do Poder Público precisam fazer o que não têm feito, que é planejar, ter vontade e mais empenho para avançar em áreas fundamentais como educação, saúde, transporte público, segurança de qualidade e gestão.

Assim, teremos cidadãos plenos e profissionais cada vez mais capazes de ajudar o Brasil e a indústria a serem mais competitivos, trazendo oportunidades iguais para quem trabalha e para quem produz.

*Rafael Cervone é 1º vice-presidente do CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo.

 

Comente