CIESP alerta indústrias e empresas sobre a escassez de água a fim de evitar maiores impactos na produção.

Eduardo San Martin, Diretor dos Departamentos de Meio Ambiente do Ciesp e da Fiesp, analisou na reunião de diretoria do Ciesp, realizada em 24 de abril,a atual situação de escassez de água nos reservatórios do Sistema Cantareira e seus impactos no abastecimento público e das empresas.

A atual situação de criticidade da disponibilidade de água nas regiões das bacias dos rios Piracicaba/Capivari/Jundiaí (PCJ) e do Alto Tietê está afetando o abastecimento público e as atividades produtivas, pelo fato de o Sistema Cantareira ter atingido nível mínimo histórico de 10,5% de seu volume útil, ou seja, cerca de 110 milhões de metros cúbicos.

Segundo dados oficiais dos órgãos gestores, neste período crítico, a operação do Sistema é de responsabilidade da Sabesp, que tem autorização para retirar 24,8 m3/s para atender à Região Metropolitana de São Paulo e 3 m3/s para atender à região da bacia do rio Piracicaba, o que implica retirada de cerca de 72 milhões de metros cúbicos de água por mês do volume útil, que se esgotará em meados de julho.

Desta forma, para manter o abastecimento público, será necessária a utilização do chamado volume morto destes reservatórios, com início previsto para o final de maio, estimando-se ser suficiente para atender às demandas até meados de novembro, quando se espera novo período chuvoso.

A Fiesp/Ciesp tem acompanhado este cenário e participado das discussões por intermédio de seus representantes nos comitês de bacias hidrográficas e nos respectivos Conselhos Estadual e Nacional de Recursos Hídricos, além de realizar eventos e reuniões com especialistas no assunto.

Cientes da importância da água, temos fomentado a adoção de boas práticas de conservação e uso racional pelos setores produtivos, e verificamos que as indústrias paulistas estão sistematicamente reduzindo seu consumo e adotando o reúso de água e efluentes, minimizando, desta forma, sua dependência dos mananciais e da rede pública.

Analisando todos os dados disponíveis, verificamos que, por decorrência da operação do Sistema Cantareira, teremos duas regiões gravemente afetadas:

1. Nas bacias PCJ:
a. Cerca de 3,2 milhões de habitantes poderão sofrer algum tipo de racionamento pelas concessionárias públicas de abastecimento, a exemplo do município de Valinhos.
b. Pelo menos 75 empresas que captam água diretamente dos rios poderão ser afetadas pela redução em suas respectivas captações, em especial no Polo Petroquímico de Paulínia e empresas localizadas em Americana, Limeira, Piracicaba, Cosmópolis, Itatiba, Jaguariúna e Jundiaí.
c. Os órgãos gestores de recursos hídricos já declararam que estão suspensas novas autorizações para captação de água superficial ou subterrânea (outorga), bem como a ampliação das existentes nos rios Atibaia, Jaguari e Camanducaia, da bacia do rio Piracicaba, por tempo indeterminado, o que implica impedimento de novos licenciamentos ambientais.

2. Na Região Metropolitana de São Paulo:
a. Cerca de 8,1 milhões de habitantes abastecidos pelo Sistema Cantareira poderão sofrer algum tipo de rodízio ou mesmo racionamento, a exemplo de Guarulhos.
b. Poderão ser afetadas também mais de 15.000 atividades econômicas de pequeno e médio portes, usuárias da rede pública, localizadas nas zonas Norte, Leste e Oeste do município de São Paulo, bem como aquelas localizadas nos municípios de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba, São Caetano do Sul, Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André.

Desta forma, este comunicado objetiva alertar as empresas que se localizam nestas regiões, a fim de que possam avaliar a situação, prevenindo-se e garantindo seu abastecimento, para não haver maiores impactos na produção.

Para mais informações, acesse o link abaixo com a apresentação realizada pelo Dr. Eduardo San Martin, Diretor Titular de Meio Ambiente sobre a escassez as água em São Paulo:

Apresentação – Água: E agora?

Comente